Eric Luz
Explorações

Do Figma ao código: como ajudei a repensar o processo de UI na Fraktal

Design System codificado, prototipação com IA e os ganhos — e limites — de aproximar design e desenvolvimento.

Fraktal · 3 min de leitura
Design EngineeringDesign SystemIAProcessosHandoff
EmpresaFraktal Softwares
Meu papelProduct Designer · autor do Design System base
StackVue.js e Nuxt
ResultadoMVPs entregues antes do previsto
Do wireframe ao produto final, com o dashboard do gestor do Eventure como exemplo do fluxo.
01Contexto

O problema não era só desenhar mais rápido

Na Fraktal, o UX já entregava mapeamentos detalhados de telas, caminhos e elementos. Ainda assim, converter esse material em interfaces prontas para validação consumia muitas horas.

Com contratos orientados por horas e a pressão por agilizar os MVPs, a liderança propôs criar UI direto em código, com apoio de IA. A direção estava colocada, mas o processo ainda precisava ser estruturado.

A perguntaComo acelerar a construção de interfaces sem perder a análise crítica que acontece durante o design?Foi essa pergunta, e não a escolha de uma ferramenta, que guiou o trabalho.
02Minha atuação

O papel que assumi

Minha contribuição começou pela consistência. Construí um Design System base para a Fraktal, com componentes essenciais, cores semânticas e padrões visuais compartilhados, e depois adaptei essa referência para uma base codificada.

Autoria individualDesign System base e sua adaptação para códigoComponentes fundamentais, organização visual, padrões e cores semânticas para reduzir divergências entre produtos.
Cocriação com a BiancaO novo fluxo de trabalhoDo mapeamento UX a wireframes intermediários, interfaces em código e validação com clientes.
Esforço coletivo do time de UIExperimentação e aplicaçãoO processo foi discutido, testado e aplicado pelo time nos projetos.
03Processo

Dois processos, duas dinâmicas

A diferença estava no meio do caminho: o Figma ficou com os wireframes de média fidelidade, e a alta fidelidade passou para o código.

Antes
01Reuniões e discovery
02Mapeamento de fluxos e telas
03UI detalhada no Figma
04Discussões e ajustes surgidos no desenho
05Aprovação
06Engenharia
Durante a experimentação
01Reuniões e discovery
02Mapeamento de fluxos e telas
03Wireframes manuais de média fidelidadeNovo
04Interface em código com IA e Design System codificadoNovo
05Revisão, ajustes e validação com o clienteNovo
06Continuidade com a engenharia
Representações didáticas, não um mapeamento de todas as entregas. Na prática, algumas atividades de investigação e validação receberam menos espaço do que deveriam.
04Design System

Design System como ponte entre design e engenharia

A IA precisava de referências claras para que diferentes interfaces não virassem projetos visualmente independentes. O Design System codificado oferecia uma linguagem comum: padrões reutilizáveis, consistência visual e uma base aproveitável na implementação.

Cores semânticas
Primária--color-primary
Texto--color-text
Superfície--color-surface
Sucesso--color-success
Erro--color-danger
Info--color-info
Componentes e estados
+ Novo eventoPróximoDesabilitado
TodosEm abertoFinalizados
EsportesFestivaisShowsWorkshops+4
⌕ Buscar
Cartões e dados
★Total de eventosLançados por você10
★Em abertoEventos abertos04
Festival de Inverno60
Feira de Inovação72
Festival de Música91
No código
<!-- mesmo token, mesmo componente --> <BaseButton variant="primary"> + Novo evento </BaseButton> <StatCard :highlight="true" /> /* tokens */ background: var(--color-primary); border-radius: var(--radius-md);
Ilustração da correspondência entre tokens, componentes e código, no estilo de componentes do Eventure. Não reproduz o Design System da Fraktal.
05Experimentação

A experimentação em código

Trabalhamos no ambiente da empresa, em Vue.js e Nuxt. As ferramentas da época muitas vezes sugeriam estruturas diferentes da nossa stack, o que exigia adequação e trabalho manual.

Ferramentas e ambiente
CursorClaudeAntigravityVue.jsNuxtSupabase em projetos pequenosLinks para validação com clientes

O aprendizado veio da prática, de workshops e da formação AI Creative Builders. O valor estava no processo e nos critérios, não na ferramenta.

06Resultado

O que mudou na prática

Nos MVPs menores em que experimentamos a abordagem, percebemos ganhos relevantes de velocidade.

Em alguns MVPs
5 mesesprevistos3 mesesrealizados
Exemplos relatados, sem isolamento do impacto da IA nem comparação controlada.
01PrazoAlguns MVPs entregues em cerca de três meses
02EngenhariaPartes do front-end aproveitadas na implementação
03ClienteApresentações com versões acessíveis por link
07Trade-off

O que a velocidade revelou

No Figma, desenhar em detalhe fazia emergir perguntas que o discovery não tinha antecipado: uma regra de negócio sem resposta, um estado não definido, um acesso que precisava ser revisto. Essas dúvidas viravam conversas com UX e engenharia antes do desenvolvimento.

Ao avançar mais rápido para o código, nem sempre preservamos esse espaço. Algumas pesquisas e validações ficaram pendentes. O problema não era o código: uma revisão crítica também pode acontecer sobre protótipos codificados. Faltou manter essas pausas dentro do processo.

“Acelerar a construção da interface não resolve automaticamente as incertezas do produto.”
08Aprendizado

O que levei para minha prática

A experiência ampliou meu repertório em Design Engineering e mudou minha relação com o handoff. Passei a entender melhor como decisões de UI se traduzem em componentes, estruturas de código e consumo de APIs.

FechamentoO objetivo não é eliminar etapas. É reduzir esforço sem perder critério.Ferramentas aceleram a materialização de uma solução, mas não substituem a investigação que a torna adequada. Essa experimentação aconteceu em um período específico; depois, mudanças de time e de contexto afetaram sua continuidade.
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Desenhado e codado por mim, de ponta a ponta, num processo de Design Engineering: design, interface e animações em Next.js, TypeScript e Tailwind CSS, publicado na Vercel.